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quarta-feira, 4 de julho de 2012
terça-feira, 28 de junho de 2011
Carta do Cacique Mutua (dos Povos Xavantes) a todos os povos da Terra
O Sol me acordou dançando no meu rosto. Pela manhã, atravessou a palha da oca e brincou com meus olhos sonolentos. O irmão Vento, mensageiro do Grande Espírito, soprou meu nome, fazendo tremer as folhas das plantas lá fora. Eu sou Mutua, cacique da aldeia dos Xavantes. Na nossa língua, Xingu quer dizer água boa, água limpa. É o nome do nosso rio sagrado. Como guiso da serpente, o Vento anunciou perigo. Meu coração pesou como jaca madura, a garganta pediu saliva. Eu ouvi. O Grande Espírito da floresta estava bravo. Xingu banha toda a floresta com a água da vida. Ele traz alegria e sorriso no rosto dos curumins da aldeia. Xingu traz alimento para nossa tribo.
Mas hoje nosso povo está triste. Xingu recebeu sentença de morte. Os caciques dos homens brancos vão matar nosso rio. O lamento do Vento diz que logo vem uma tal de usina para nossa terra. O nome dela é Belo Monte. No vilarejo de Altamira, vão construir a barragem. Vão tirar um monte de terra, mais do que fizeram lá longe, no canal do Panamá.
Enquanto inundam a floresta de um lado, prendem a água de outro. Xingu vai correr mais devagar. A floresta vai secar em volta. Os animais vão morrer. Vai diminuir a desova dos peixes. E se sobrar vida, ficará triste como o índio.
Como uma grande serpente prateada, Xingu desliza pelo Pará e Mato Grosso, refrescando toda a floresta. Xingu vai longe desembocar no Rio Amazonas e alimentar outros povos distantes. Se o rio morre, a gente também morre, os animais, a floresta, a roça, o peixe tudo morre. Aprendi isso com meu pai, o grande cacique Aritana, que me ensinou como fincar o peixe na água, usando a flecha, para servir nosso alimento.
Se Xingu morre, o curumim do futuro dormirá para sempre no passado, levando o canto da sabedoria do nosso povo para o fundo das águas de sangue. Pela manhã, o Vento me levou para a floresta. O Espírito do Vento é apressado, tem de correr mundo, soprar o saber da alma da Natureza nos ouvidos dos outros pajés. Mas o homem branco está surdo e há muito tempo não ouve mais o Vento.
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Eclipse lunar hoje!
A maioria dos brasileiros verá a Lua nascer eclipsada nesta quarta-feira, 15. O fenômeno ocorre quando o Sol, a Terra e a Lua estão alinhados, com nosso planeta no meio. A observação do fenômeno poderá ser feita com binóculos, lunetas e telescópios amadores. A olho nu, embora possível, a observação será dificultada pela sombra na Lua.
"Desta vez a Lua estará dentro do eclipse e vai estar nascendo e ao mesmo tempo que o sol estará se pondo. A Lua vai começar a ser visível quando já estiver eclipsada, então o grande desafio para os observadores será notar que a Lua já está lá. Ela vai estar bem apagada," avisa o astrônomo e professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) Paulo Sérgio Bretones. Durante um fenômeno como este, a Lua ganha um tom avermelhado devido a refração da luz, mas dada as condições e horário em que ele ocorrerá no Brasil, a percepção da mudança na coloração do satélite precisará de mais atenção dos observadores.
As regiões que poderão observar o eclipse do início ao fim estão na África, no Oriente Médio, na Ásia e na Oceania. Norte-americanos não conseguirão ver o fenômeno e os europeus, assim como os brasileiros, só verão o fim. A última ocorrência de um eclipse como este, com o tempo de duração semelhante, foi em julho de 2000, de acordo com informação da Nasa.
Paulo Sérgio Bretones explica que o eclipse lunar desta quarta-feira se iniciará por volta das 15h22, o que significa que não será percebido no Brasil porque a Lua não terá nascido no horizonte. Por volta das 16h22 a Lua cheia estará totalmente coberta pela sombra da Terra. Em São Paulo, por exemplo, a Lua ficará visível por volta das 17h25, quando já estará eclipsada. Dois minutos depois, o Sol vai se por. Portanto, o satélite estará escuro, mas o crepúsculo ainda iluminará o céu por alguns minutos. Às 18h02 a Lua começará a deixar a sombra e às 19h02 ela estará novamente iluminada pela Sol.
Este é um dos dois eclipses lunares deste ano, mas o único que será visível para os brasileiros. O outro ocorrerá em dezembro. Além destes, teremos ainda dois eclipses solares, um em 1º de julho e outro em 25 de novembro. O próximo eclipse lunar que poderá ser visto no Brasil por completo está previsto apenas para setembro de 2015.
Fotografia
Como a observação do fenômeno será dificultada no Brasil, o professor Paulo Sérgio Bretones dá dicas de como fotografar o fenômeno e conseguir boas imagens do eclipse lunar. "Para fotografar o eclipse com câmera digital, pode-se fixá-la num tripé, em modo de foco infinito, paisagem ou cenário (landscape). Como se pode verificar o resultado da imagem obtida, é fácil experimentar o tempo de exposição durante o eclipse. Na fase de totalidade, pode-se usar sensibilidade de ISO 100 ou 200 e exposições entre 1s a 5s.
Também pode-se aumentar o ISO e diminuir o tempo de exposição," explica o astrônomo. "Para exposições depois da totalidade, geralmente a câmera consegue se adaptar as condições de luz automaticamente, bastando apertar o botão de disparo para efetuar a foto nesta fase. Para as câmeras com opções manuais, pode-se usar exposições rápidas de 1/350 a 1/125 com ISO 100 para aberturas pequenas como 1:5,6 ou 1:8. Em suma, pode-se utilizar mais de uma abertura e velocidade de disparo para garantir fotos de boa qualidade. Com a câmara fixa, apoiada em tripé, deve-se disparar manualmente em intervalos de três, cinco minutos ou mais."
"De qualquer forma, vale a pena reunir a turma, procurar um local alto e com o horizonte livre. Pode-se observar o pôr do Sol e tentar ver a Lua nascendo eclipsada, em contraste com a claridade do crepúsculo e ainda na sombra do nosso planeta. Com o passar do tempo, a Lua estará cada vez mais alta, irá saindo da sombra e voltará a estar cheia e totalmente iluminada pelo Sol," finaliza o pesquisador.
sábado, 11 de junho de 2011
Animais também têm o hábito de 'pagar impostos'!
Nestes dias taxados, onde nos tornamos uma nação insolentemente bipartidária de reclamões, convencidos de que estamos oferecendo à Receita Federal nosso sangue, suor e leite materno, nossa libra de carne e nosso primogênito, talvez seja a hora para um pouco de perspectiva.
Legiões antes de nós entregaram todos esses itens e muito mais aos cofres públicos, e não só metaforicamente. Benjamin Franklin estava certo ao associar o pagamento de impostos a um comportamento profundamente orgânico, como morrer. Acontece que dar uma parte dos lucros pessoais para o bem da tribo é uma característica tão onipresente na raça humana que alguns pesquisadores a consideram crucial ao sucesso de nossa espécie.
Além disso, muitos animais não-humanos também praticam essa mesma arte, exigindo que indivíduos doem parte de seu alimento, trabalho, conforto ou fertilidade pessoal para o privilégio do relacionamento em grupo. E assim como o IR depende tanto da ameaça de auditoria quanto do senso de responsabilidade cívica das pessoas, outras espécies coletoras de impostos asseguram a adesão ao compartilhamento usando rápidas punições contra a sonegação.
Por exemplo, Marc Hauser, da Universidade de Harvard, descobriu que quando um macaco reso sai em busca de alimento e se depara com uma fonte de comida de qualidade especialmente boa, como, digamos, um cacho de cocos maduros, espera-se que o macaco envie um chamado especial de comida para alertar seus companheiros da descoberta. "O lado ruim de fazer um chamado de comida é que os outros chegarão e levarão parte do alimento", disse Laurie R. Santos, que estuda os primatas na Universidade de Yale. Mesmo assim, um macaco que escolhesse ficar calado a respeito da descoberta poderia ter um destino pior. Se outros membros do grupo passarem por ali enquanto acontece o banquete particular, eles não só reclamarão a comida para eles, mas o mais dominante entre eles também espancará raivosamente o trapaceiro.
Nem todos estão sujeitos a ataques de macacos gigantes. Machos adolescentes que se transferiram recentemente ao grupo não são obrigados a emitir alertas de comida. Eles ainda estão em período de teste, e somente ao receber a cidadania completa eles terão de cumprir seus deveres.
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